ADR: S/4HANA em Hong Kong — X2idn chegou, migrar agora ou esperar X8i?
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Em 11 de setembro de 2026 a AWS habilitou as instâncias X2idn em Asia Pacific (Hong Kong). Para um core financeiro em S/4HANA que não pode sair da região, é a primeira instância Nitro de 2 TiB certificada para HANA produtivo ali — 49% mais SAPS e 5,7× mais banda de EBS que o x1.32xlarge. Este ADR registra por que eu migro agora, aceitando uma segunda migração para X8i quando ela chegar.
Em 11 de setembro de 2026 a AWS ligou as instâncias X2idn na região Asia Pacific (Hong Kong). Para quem lê release note, é uma linha. Para quem opera um S/4HANA que precisa ficar em Hong Kong por regra de residência de dados, é a primeira vez em que ap-east-1 oferece uma instância Nitro de 2 TiB certificada para HANA de produção — e isso destrava uma decisão que estava parada em cima de X1 há anos. Este é o registro de decisão que eu escreveria hoje para esse cenário: contexto, opções, escolha e, principalmente, o que a escolha custa manter.
Contexto e forças
O cenário é concreto: um core financeiro em S/4HANA, base HANA com cerca de 1,3 TiB de dados em memória, obrigação contratual e regulatória de manter dados e processamento em Hong Kong. Até esta semana, quem precisava de mais de 1 TiB certificado nessa região tinha na prática a família X1 — instâncias Xen que a própria referência de armazenamento da AWS marca com a nota 'sugerimos migrar para um tipo Nitro'.
A tabela de certificação SAP da AWS deixa a diferença nua. x1.32xlarge: 1.952 GiB, 131.500 SAPS, 25 Gbps de rede, 14.000 Mbps de armazenamento. x2idn.32xlarge: 2.048 GiB, 196.050 SAPS, 100 Gbps, 80.000 Mbps. Não é upgrade incremental — é 49% mais SAPS e 5,7× mais banda de EBS no mesmo envelope de memória.
As forças que puxam a decisão:
Residência de dados: a carga não sai de ap-east-1. Singapura e Tóquio já têm X8i; Hong Kong, em nenhuma página que abri, aparece na lista.
Janela de reinício: trocar tipo de instância é parar o banco e recarregar 1,3 TiB em memória. Cada troca é uma janela negociada com o negócio, e eu não quero negociar duas no mesmo ano sem motivo.
Capacidade: instância de 128 vCPU em região pequena é exatamente o perfil que devolve InsufficientInstanceCapacity no dia do failover.
Custo de manter: o plantão é o mesmo para X1, X2idn ou X8i; o que muda é quantos incidentes de I/O e quantos tickets de capacidade ele atende por trimestre.
A pergunta errada é 'X2idn é mais rápido que X1?'. A resposta é sim e não decide nada. A pergunta certa é: sabendo que X8i não está em Hong Kong e sem data para estar, vale migrar agora e talvez migrar de novo, ou segurar no X1?
As opções na mesa
Considerei quatro caminhos. Scale-out não entrou: para OLTP (S/4HANA) a certificação de scale-out na tabela da AWS só existe na família U de alta memória, com máximo de 4 nós; X2idn e X2iedn são certificados em scale-out apenas para OLAP.
Opção A — ficar no X1. Zero janela agora, zero risco de regressão. O preço é operar 14.000 Mbps de armazenamento com um banco cujo delta merge e cujo savepoint já competem por I/O em fechamento de mês. Cada trimestre no X1 é um trimestre a mais de tuning que não sobrevive à migração.
Opção B — X2idn em ap-east-1 agora. x2idn.32xlarge está certificado para OLTP produtivo com sizing Standard. Ganha-se 49% de SAPS e a banda de EBS para sair do regime de tuning defensivo. Aceita-se que é geração de 2022 e que X8i vai chegar um dia.
Opção C — esperar X8i em Hong Kong. A AWS anunciou X8i em janeiro de 2026 com 50% mais SAPS e 3,4× a banda de memória do X2i, e vem expandindo região a região. O problema é que 'um dia' não é data. Esperar significa continuar no X1 por tempo indeterminado, e a espera tem custo por mês.
Opção D — X8i em Singapura. Tecnicamente a melhor instância; regulatoriamente, inviável. A residência de dados não é um requisito não funcional negociável — é o requisito que fez a carga existir nessa região.
A opção B tem um defeito honesto: se X8i chegar em ap-east-1 em seis meses, terei feito duas migrações em um ano. A pergunta que resolve isso é: quanto custa cada mês a mais no X1 comparado a uma segunda janela de migração? A matriz abaixo registra o raciocínio.
Opções consideradas
A — Ficar no X1 (x1.32xlarge)
- Nenhuma janela de migração agora
- Configuração conhecida, runbooks maduros
- Geração Xen; a própria AWS sugere migrar para Nitro
- 14.000 Mbps de EBS e 131.500 SAPS — teto de I/O em fechamento de mês
- Cada mês adiciona tuning que a migração descarta
Rejeitada: adia o custo, não o elimina
B — X2idn agora (x2idn.32xlarge)
- Certificado OLTP produtivo, sizing Standard, 2.048 GiB
- 196.050 SAPS, 100 Gbps de rede, 80.000 Mbps de EBS
- Disponível hoje em ap-east-1; capacidade reservável via ODCR
- Geração de 2022; provável segunda migração para X8i
- NVMe local é efêmero — inútil para /hana/data
Escolhida: resolve o gargalo hoje e mantém a trilha para X8i
C — Esperar X8i em Hong Kong
- Uma migração só, para a instância mais forte
- 50% mais SAPS e 3,4× banda de memória vs X2i (dados da AWS)
- Sem data; nenhuma página aberta lista ap-east-1
- Cada mês de espera é um mês no X1
Rejeitada como plano; mantida como próximo passo
D — X8i em Singapura
- Melhor instância disponível hoje na Ásia
- Viola a residência de dados — o requisito que criou a carga
- Latência entre regiões para o app tier que fica em Hong Kong
Inviável
Decisão: X2idn agora, com trilho para X8i
Escolho a opção B e registro a C como sucessora. O raciocínio que fecha a conta: uma segunda migração custa uma janela; ficar no X1 custa todo mês. Quando a segunda janela vier, ela será entre duas gerações Nitro com o mesmo layout de EBS — bem mais barata que sair do Xen.
Tamanho: x2idn.32xlarge, não x2idn.24xlarge. 1,3 TiB em 1.536 GiB são 85% de ocupação — HANA precisa de folga para delta merge e crescimento anual; 2.048 GiB dão dois anos de folga. Detalhe que muita gente ignora: na tabela da AWS, x2idn.16xlarge e x2idn.24xlarge têm OLAP com sizing Workload (exige aprovação por carga), só o 32xlarge é Standard nas duas categorias.
Armazenamento: sigo a referência da AWS para 2 TiB — /hana/data 2.500 GiB gp3 com 8.100 IOPS e 875 MB/s; /hana/log 500 GiB gp3 com 3.000 IOPS e 300 MB/s; /hana/shared 1.024 GiB. Todos criptografados com KMS CMK própria, com a condição ec2:Encrypted na policy de quem cria volumes. O NVMe local de 2×1900 GB fica fora do caminho de dados.
Capacidade: uma On-Demand Capacity Reservation de uso imediato por nó, em cada AZ, com plataforma SUSE Linux idêntica ao PlatformDetails da AMI. Combinada com um Compute Savings Plan, que é o que traz o desconto — a reserva sozinha não dá nenhum. Antes de criar, peço aumento da cota On-Demand da família X em ap-east-1: reserva ativa conta contra a cota mesmo vazia.
Alta disponibilidade: HANA System Replication síncrona entre duas AZs, cluster Pacemaker movendo o overlay IP na route table. Os nomes de instância e de reserva recebem a tag sap:role=hana-primary|hana-secondary, e uma SCP com aws:RequestedRegion restrita a ap-east-1 garante que a residência não dependa de disciplina humana.
Alvo da decisão: S/4HANA em X2idn, duas AZs de ap-east-1
O app tier fala com um overlay IP; o Pacemaker move a rota entre o primário e o secundário. Cada nó roda dentro de uma Capacity Reservation própria.
- Overlay IP · route table /32
- Pacemaker · fence + move route
- x2idn.32xlarge · 2.048 GiB · 196.050 SAPS
- EBS gp3 · KMS CMK · data 2.500 GiB 875 MB/s · log 500 GiB
- ODCR AZ a · platform SUSE Linux
- x2idn.32xlarge · HSR sync target
- EBS gp3 · KMS CMK · mesmo layout
- ODCR AZ b · platform SUSE Linux
- S3 backup (Backint) · lifecycle + Object Lock
- X8i em ap-east-1 · quando chegar
Consequências: o que passa a ser operado
Uma decisão só está registrada quando as consequências estão escritas. Estas são as que assumo.
Uma segunda migração está agendada sem data. Quando X8i aparecer em ap-east-1 — confirmo com aws ec2 describe-instance-type-offerings --region ap-east-1 --filters Name=instance-type,Values=x8i.*, não com anúncio —, o caminho é trocar o secundário primeiro, deixar a HSR sincronizar, fazer takeover e trocar o antigo primário. O layout de EBS para 2 TiB é o mesmo nas duas gerações, então a janela é de takeover, não de recarga completa.
Reserva vazia é conta cheia. ODCR de uso imediato cobra desde a criação, ocupada ou não. Se o secundário ficar dois dias parado para manutenção, a reserva continua cobrando. Alarmo a utilização das reservas e o ReservationState; reserva sem instância por mais de 24h abre incidente de FinOps, não de infra.
A cota vira dependência de projeto. Reservas ativas contam contra a cota On-Demand da família. Duas x2idn.32xlarge são 256 vCPUs; sem o aumento aprovado antes, a segunda reserva falha e o cluster nasce com um nó só.
O NVMe local não existe para o banco. Os 2×1900 GB somem em stop/start. Servem no máximo para área temporária de exportação; qualquer runbook que os mencione para dados persistentes é defeito.
Os sinais que vigio: latência de escrita de log da HANA (KPI que a SAP mede em microssegundos), VolumeQueueLength e VolumeThroughputPercentage dos volumes de data, ReplicationStatus da HSR, e o tempo de takeover medido em teste trimestral de failover. Se o teste não roda, a alta disponibilidade é uma hipótese.
Duas falhas silenciosas desta decisão
Plataforma da reserva diferente da AMI: uma AMI SLES for SAP reporta PlatformDetails: SUSE Linux; se a Capacity Reservation for criada como Linux/UNIX, a instância sobe fora da reserva sem erro nenhum — você paga a reserva vazia e a instância On-Demand, e só descobre na fatura. Confira com aws ec2 describe-images --query Images[*].PlatformDetails antes de criar. Segunda: o x2idn.32xlarge tem sizing OLAP Standard, mas os tamanhos menores da família têm OLAP com sizing Workload — quem dimensiona um BW/4HANA em x2idn.24xlarge sem passar pelo processo de sizing por carga está fora do suporte SAP sem saber.
Eu migraria na próxima janela de fechamento trimestral, não antes — e criaria as duas Capacity Reservations no dia em que a decisão fosse aprovada, mesmo que a migração fosse seis semanas depois, porque capacidade de 128 vCPU em região pequena não se pede na véspera. A lição que carrego de plataformas financeiras: a instância que você adia por causa da próxima geração custa todo mês em tuning defensivo, e a próxima geração nunca chega na sua região na data que você imaginou. Migre para o que existe, deixe a segunda migração escrita no ADR com o comando que a dispara, e teste o failover a cada trimestre — o resto é hipótese.
Veredito
Migre para x2idn.32xlarge em ap-east-1 agora quando: a carga tem obrigação de residência em Hong Kong, precisa de mais de 1 TiB certificado para OLTP e hoje roda em X1. Segure quando: a base cabe em 768 GiB (então r7i.24xlarge ou r8i.24xlarge resolvem com mais SAPS por vCPU) ou quando a residência permite Singapura ou Tóquio, onde X8i já existe. Em qualquer caso, registre a próxima migração no ADR, reserve capacidade com a plataforma correta e trate a espera por X8i como o que ela é — um custo mensal sem data de término.
Referências
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