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Fernando Azevedo

Arquiteto de TI Especialista

Arquitetura, AWS, IA em produção, sistemas financeiros e FinOps, escritos a partir do que foi operado, com os números.

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(c) 2026 Fernando Francisco Azevedo

BIAN na prática: como um banco funciona por dentro/Agentes com fronteira de domínio e avaliação
Módulo 3 · O BIAN no trabalho· Aula 09/09

Agentes com fronteira de domínio e avaliação

Ferramentas do agente como Service Operations, com política, aprovação humana e avaliação contínua.

5 min de leitura

Assista ao documentário do curso (~24 min)

Nas oito aulas anteriores o BIAN serviu para ler o banco. Nesta última ele serve para dar limite a um agente de IA: cada ferramenta que o agente pode chamar é uma Service Operation de um Service Domain, com política antes, humano no meio quando há dinheiro e medição depois. Sem essa fronteira, o agente é só um script com acesso ao core bancário.

Uma ferramenta por Service Operation

A regra que organiza tudo: uma ferramenta, uma Service Operation. O agente não recebe uma ferramenta chamada banco com dez parâmetros. Ele recebe Retrieve no Current Account para consultar saldo e Initiate no Payment Order Initiation para criar uma ordem de pagamento. O nome da ferramenta já diz qual domínio ela toca e qual action term ela executa, exatamente o vocabulário da aula 03.

Isso resolve três problemas de uma vez.

Fronteira: o agente só alcança os domínios que você expôs. Se não existe ferramenta em Customer Consent, ele não altera consentimento, por mais criativo que seja o prompt.

Auditoria: cada chamada de ferramenta vira uma linha de log com Service Domain, action term e Control Record afetado. Quem audita lê o mesmo mapa que o arquiteto desenhou.

Contrato: a ferramenta nasce do OpenAPI da Semantic API (aula 04). O schema que valida a requisição do canal valida também a requisição do agente. Não existe um segundo contrato, mais frouxo, só para a IA.

Na prática, a tentação é agrupar: 'uma ferramenta de pagamentos' que decide sozinha se consulta, inicia ou confirma. Resista. Ferramenta larga é fronteira larga, e fronteira larga é o que você passou o módulo 2 aprendendo a não desenhar. Lembre também que Payment Execution e Payment Instruction são obsoletos na versão 14: ferramenta com esses nomes é dívida de nascença.

O laço do agente bancário

Caminho de um pedido do cliente até a Service Operation, com política, aprovação humana e auditoria no meio.

🤖 Agente: raciocínio e plano
  • Agente · escolhe a ferramenta e preenche os campos
🟧 AWS: Bedrock AgentCore
  • AgentCore Gateway · OpenAPI exposto como ferramentas MCP
  • Policy (Cedar) · avalia a regra antes de cada chamada
🔐 Controle humano
  • Fila de aprovação · toda movimentação de dinheiro
  • Revisão LGPD art. 20 · decisão sobre a pessoa
🏦 Banco: Service Domains BIAN 14
  • Current Account · Retrieve: saldo
  • Payment Order Initiation · Initiate: ordem de pagamento
  • Payment Confirmation · confirma ao cliente
📤 Auditoria e avaliação
  • Trilha de auditoria · domínio, action term, Control Record
  • Golden set e métricas · precisão, recall, regressão

Gateway, política e aprovação humana

O desenho acima tem três camadas entre o agente e o banco, e nenhuma é opcional.

Gateway: o Amazon Bedrock AgentCore Gateway recebe a especificação OpenAPI da Semantic API e a expõe como ferramentas MCP. O agente enxerga Retrieve e Initiate como ferramentas; o banco continua enxergando a mesma API de sempre. Nenhum código de integração novo, nenhum contrato paralelo.

Política: o Policy in AgentCore avalia regras Cedar antes de cada chamada de ferramenta. A regra é declarativa: este agente, para este cliente, pode chamar Retrieve no Current Account; pode chamar Initiate no Payment Order Initiation só se houver aprovação registrada. A política vive fora do prompt. Prompt é sugestão; política é bloqueio.

Aprovação humana: toda movimentação de dinheiro passa por uma pessoa. Não é desconfiança do modelo, é desenho: o agente prepara a ordem com todos os campos preenchidos, o humano aprova em uma fila, e só então o Initiate acontece. Consulta de saldo não precisa disso; transferência precisa, sempre.

Há uma quarta camada que o diagrama marca e muita gente esquece: o art. 20 da LGPD dá ao titular o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado que afetem seus interesses. Se o agente nega um limite ou recusa uma operação, a pessoa pode pedir que um humano reveja. Então o laço precisa de um caminho de volta, com a decisão, o motivo e quem revisou.

Ordenar

O laço do agente bancário

Ordene do pedido do cliente à auditoria.

  1. 1Chamada e decisão ficam na auditoria
  2. 2Política no gateway avalia a chamada
  3. 3Cliente aprova o pagamento
  4. 4Cliente pede para pagar uma conta
  5. 5Agente consulta o saldo com Retrieve no Current Account
  6. 6Agente executa Initiate no Payment Order Initiation
FA
Na prática
Arquiteto de TI Especialista

Na prática, o que separa um agente bancário de uma demo é a ordem das camadas. Já vi protótipo colocar a aprovação humana no prompt ('peça confirmação antes de pagar') e chamar isso de controle. Prompt não é controle. Controle é a regra Cedar que devolve negado quando não há aprovação registrada, e o log que prova isso seis meses depois. Monte a demo com a fronteira pronta: é mais lento no primeiro dia e muito mais barato em todos os outros.

Avaliação: o agente também tem golden set

Na aula 08 a IA rascunhou mapeamentos e um humano decidiu. A pergunta que fecha o curso é outra: como você sabe que ela continua acertando?

Golden set: um conjunto de casos com a resposta certa, revisado por dois arquitetos, com a versão do BIAN fixada no próprio arquivo (14.0, e não 'a atual'). Dois revisores porque mapeamento é interpretação: onde os dois discordam, o caso vira discussão e, resolvido, vira o exemplo mais valioso do conjunto. Versão fixada porque um rename como Payment Rail Operations para Payment Rail muda a resposta certa sem mudar o sistema.

Precisão e recall por domínio: a média geral esconde o problema. Um agente pode acertar tudo em Current Account e errar sistematicamente em Payment Orchestration, que é novo na versão 14. Meça por Service Domain e olhe para os piores, não para a média.

Limiar de confiança: abaixo de um valor que você define, o caso não é decidido pelo agente; vai para a fila humana. O valor certo depende do seu conjunto e do custo de errar em cada domínio. O que não pode é não existir.

Regressão: a cada troca de modelo e a cada versão nova do BIAN, rode o golden set inteiro antes de promover. Modelo novo não é melhor por definição; é diferente, e diferente precisa de prova.

Rotina de avaliação do agente

  1. 1

    Congele a versão

    BIAN 14.0 escrito no arquivo do golden set e no grounding do agente. Nome obsoleto na resposta conta como erro.

  2. 2

    Revise em dupla

    Dois arquitetos aprovam cada caso. Divergência fica registrada com a decisão final e o motivo.

  3. 3

    Meça por domínio

    Precisão e recall por Service Domain. Ordene do pior para o melhor e ataque o topo da lista.

  4. 4

    Rode a regressão antes de promover

    Troca de modelo ou de versão do BIAN só sobe depois do golden set inteiro. Queda em qualquer domínio bloqueia.

Flashcards

Recapitulação do curso

Toque num cartão para virar.

Os três módulos em uma página, e o exame

Antes do exame, o caminho que você percorreu.

Módulo 1, o mapa: o BIAN é um mapa de capacidades, não um sistema (aula 01). As camadas organizam Service Domains, cada um com um Control Record que diz o que ele administra (aula 02). Padrões funcionais e action terms dão o verbo: Retrieve, Initiate, Update, Execute (aula 03). E o caminho segue do Service Domain até o OpenAPI da Semantic API (aula 04).

Módulo 2, o Brasil no mapa: Pix distribuído entre Payment Order Initiation, Payment Rail, Payment Settlement e Payment Confirmation, com os domínios novos da versão 14 no lugar dos obsoletos (aula 05). Open Finance, SCR, LGPD e Banco Central como obrigações que atravessam domínios, com Customer Consent como domínio próprio (aula 06).

Módulo 3, o trabalho: heatmap para ver onde os sistemas se sobrepõem e as fronteiras erradas que todo mundo desenha uma vez (aula 07). IA com grounding nas definições oficiais para rascunhar mapeamentos e contratos, humano decidindo e tudo medido (aula 08). E esta aula: agente com ferramentas por Service Operation, política, aprovação humana e avaliação contínua.

O exame final está na página do curso. Ele cobre os três módulos e, aprovado, libera o certificado. Faça sem consultar as aulas na primeira tentativa: a nota mostra o que ficou e o que pede releitura.

Concluir e fazer o exame Aula anterior